quarta-feira, 15 de setembro de 2010

K

origem


Vigia as tuas mãos,
os teus olhos,
os teu pulsos;
não rasgues os teus dedos na caliça
que te esqueceu;
não ouças as visões - brindes do tempo;
não cabeceies sobre o teu peito:
já não há quem se incline sobre ti.

Regressa à tua terra,
agarra os torrões, as ervas,
abraça os teus trilhos e sorri ao vento,
as madrugadas pertencem-te,
e os poentes alargam-se
e pintam-te a alma de ouro.
















(fonte da imagem: net, origem desconhecida)

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5 Comentários:

Blogger Nilson Barcelli disse...

Magnífico poema. Da vigilância e do regresso às origens.
Um abraço.

quinta-feira, 16 setembro, 2010  
Blogger Lídia Borges disse...

Gosto muito da obra poética de Nuno Júdice. O seu poema trouxe-me este à memória:

A Origem do Mundo

De manhã, apanho as ervas do quintal. A terra,
ainda fresca, sai com as raízes; e mistura-se com
a névoa da madrugada. O mundo, então,
fica ao contrário: o céu, que não vejo, está
por baixo da terra; e as raízes sobem
numa direcção invisível. De dentro
de casa, porém, um cheiro a café chama
por mim: como se alguém me dissesse
que é preciso acordar, uma segunda vez,
para que as raízes cresçam por dentro da
terra e a névoa, dissipando-se, deixe ver o azul.

Nuno Júdice, in "Meditação sobre Ruínas"

Um beijo

sexta-feira, 17 setembro, 2010  
Blogger Vieira Calado disse...

Regressar às origens,

meu caro,

eis o que procuram

os espíritos poéticos!

Um abraço

segunda-feira, 20 setembro, 2010  
Blogger Rafael Castellar das Neves disse...

Muito bom...atordoante, eu digo!

Literalmente um baita empurrão para a vida que parece adormecida, ou simplesmente esquecida...

[]s

segunda-feira, 20 setembro, 2010  
Blogger Jaime A. disse...

A todos vós:
estou muito grato pelas vossas palavras.
Bem-hajam.

terça-feira, 21 setembro, 2010  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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