quarta-feira, 15 de setembro de 2010

origem


Vigia as tuas mãos,
os teus olhos,
os teu pulsos;
não rasgues os teus dedos na caliça
que te esqueceu;
não ouças as visões - brindes do tempo;
não cabeceies sobre o teu peito:
já não há quem se incline sobre ti.

Regressa à tua terra,
agarra os torrões, as ervas,
abraça os teus trilhos e sorri ao vento,
as madrugadas pertencem-te,
e os poentes alargam-se
e pintam-te a alma de ouro.
















(fonte da imagem: net, origem desconhecida)

5 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Magnífico poema. Da vigilância e do regresso às origens.
Um abraço.

Lídia Borges disse...

Gosto muito da obra poética de Nuno Júdice. O seu poema trouxe-me este à memória:

A Origem do Mundo

De manhã, apanho as ervas do quintal. A terra,
ainda fresca, sai com as raízes; e mistura-se com
a névoa da madrugada. O mundo, então,
fica ao contrário: o céu, que não vejo, está
por baixo da terra; e as raízes sobem
numa direcção invisível. De dentro
de casa, porém, um cheiro a café chama
por mim: como se alguém me dissesse
que é preciso acordar, uma segunda vez,
para que as raízes cresçam por dentro da
terra e a névoa, dissipando-se, deixe ver o azul.

Nuno Júdice, in "Meditação sobre Ruínas"

Um beijo

Vieira Calado disse...

Regressar às origens,

meu caro,

eis o que procuram

os espíritos poéticos!

Um abraço

Rafael Castellar das Neves disse...

Muito bom...atordoante, eu digo!

Literalmente um baita empurrão para a vida que parece adormecida, ou simplesmente esquecida...

[]s

Jaime A. disse...

A todos vós:
estou muito grato pelas vossas palavras.
Bem-hajam.