domingo, 12 de setembro de 2010

K

aro

Espojei-me, pois, na tua luz;
mirei o meu dedo firme,
apagador de todas as promessas;
pisquei-me,
quase rarefeito,
aguarela deslavada,
nas viagens circulares,
cavalgando as ondas
que o céu extinguiu.

Sou o que o mar te salgou,
a vida que te ensoberbece,
a coluna do teu fumo;
verga-te, pois,
contrito,
ao meu lume,
ao meu decreto!

(imagem do autor
obtida com telemóvel:
S. Pedo de Moel)

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2 Comentários:

Blogger Graça Pires disse...

Um farol pode devolver-nos o vulto improvisado de um navio quee nos leva para lugares de lume...
Um beijo, Jaime.

quarta-feira, 15 setembro, 2010  
Blogger Lídia Borges disse...

(...)
"aguarela deslavada,
nas viagens circulares,
cavalgando as ondas
que o céu extinguiu."

Há encanto no ondear destas viagens.

L.B.

sexta-feira, 17 setembro, 2010  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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