terça-feira, 7 de setembro de 2010

roda


Guardo o dia em que meus braços se estenderam,
o pó da estrada, a névoa fulva, a luz,
rodearam-nos, calçaram-nos no seu verde pranto.
Fiquei assim, perdido no vazio, entre as paredes calvas
de masmorras nem sonhadas, de tão errantes.

Quem será aquele, ali na falésia, com os braços esquecidos?
Por que se estenderá de borco,
nariz afilado, como que ganhando asas?

Ah, homem...
não te faças sozinho à vida,
deixa que outros passos sigam os teus.

Homem...
se te acompanham,
acautela a tua sombra,
porque duas querem mais,
demais.

Conforma-te, pois:
a tua sombra, os teus passos, pertencem-te.
Deixa os teus braços sorrirem ao Sol,
que a Lua lhes beije as madrugadas,
que um entardecer dourado
lhes faça luzir as memórias felizes.
A parede escorrega pelo tempo,
a falésia esqueceu-te:
sobraste tu,
no teu sonho
entre gargalhadas de crianças.

(fonte da imagem:

1 comentário:

Graça Pires disse...

Porque nos pertencem os passos e a sombra é que vamos a caminho das nossas fragilidades e, quantas vezes, viramos os sonhos do avesso.
Um beijo, amigo.