sábado, 29 de agosto de 2009

canto do soldado














Caminho na minha peste,
as solas rebarbam
as tristes folhas
emaranhadas na lama
que me sobra,
naquela paixão
[lasciva...];


dói-me o peito,
o destino e a madrugada,
o capacete escuta a metralha,
seca como a loucura
(prévia)
que torna os homens fugazes;



sigo pelo atalho,
há um oficial ferido
{na sua dignidade de falsete}
sim, meu capitão;
às ordens, meu capitão;
(eu não quero o capitão,
não lhe chamo mais "meu");
as folhas farfalham
e dançam comigo
em trejeitos melancólicos,
e eu sinto o desejo
(atroz, bem o sei)
de polir a arma
até obter um trompete
para então,
entre risos de leite e mel,
tocar em surdina
o Bolero de Ravel!!
(imagem retirada da net)

2 comentários:

Paula Raposo disse...

Gostei muito! Contra a guerra. Beijos.

maré disse...

Acho que foi a partir daqui que fui privada de si
.


agora, de sangue líquido, as palavras "morrem-me"

Obrigado.

deixe-me a porta aberta, não sei por onde entrei, mas violarei espaços para cá chegar