quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Porém
Em frente do teu rosto
Medita o adolescente à noite no seu quarto
Quando procura emergir de um mundo que apodrece
(Sophia de Mello Breyner Andresen, "Che Guevara" in "O Nome das Coisas" )

... os dedos passeiam-se pela viola,

os caminhos fecharam-se há anos,

apenas o ar medíocre,

deslavado,

se estende ao seu redor;

o jovem fita,

Che retribui-lhe os olhos,

em desafio felino,

(em jeito de hasta la victoria, siempre!...),

do braço da viola suspiram cantos

de la Sierra,

quase longínquos,

distantes. O Sol vibra,

[em deixas

de esquecimento],

e o mundo apodrece,

em gestos de vaidade,

de pequenina mesquinhez,

enquanto o adolescente

sem entender,

suicida lentamente a esperança,

ornada de trágicas,

secas mortes,

em louvor de coisa nenhuma!


(imagem retirada da net)

1 comentário:

Graça Pires disse...

Lembrar aqui Sophia e Che Guevara com um poema fantástico, que me tocou "o jovem fita,
Che retribui-lhe os olhos,
em desafio felino... Em louvor de coisa nenhuma"...
Obrigada pelo momento.
Um abraço.