sábado, 15 de agosto de 2009

pesadelo

Estreei-me nos umbrais do medo,
nas portadas frias,
escorrendo pavor;
apenas os meus passos
nas sombras delirantes
de um vento marcial.
Misturei a areia do tempo
em dois ou três baques
de solidão;
retive a contagem
de caminhos vindouros.
Já nem a taça
derramada sobre as Nações
me encantou ou deslumbrou,
assim como os passos dos féretros,
ou as trilhas escusas.
Meus olhos escaparam-se
em edípicas fugas,
rasteirados pela ânsia do vazio.
Agora,
arrisco um passo
na esperança
de que ainda reste
algum Boja(dor)...
(imagem retirada da net: pormenor de "The nightmare" de Henry Fuseli)


4 comentários:

Lídia Borges disse...

Este cantinho é muito acolhedor.
Gosto do que escreve.
Posso sugerir que arrisque um passo às minhas searas para trazer o selinho?

Lídia Borges

maré disse...

das ânsias

a riscar
de verde as sombras delirantes dos caminhos

Um beijo Jaime

Zica Cabral disse...

A esperança é a ultima coisa que morre e, sem ela nunca poderemos apreciar um por do Sol, ou olhar para um amanhã mais risonho quando parece que todas as portas se fecham.
Gostei do que li ate agora
Um abraço
Zica

Paula Raposo disse...

É. Arriscar...beijos.