quinta-feira, 9 de abril de 2009

missiva... missão

Cara amiga:

Desfrutei da sua ausência.
As horas foram-se,
quase espiadas.
Fiquei quieto,
saboreando o sossegado silêncio,
sorrindo simples ao sol.
Entreabri a alma,
o coração,
partilhei vitórias,
passadas.
Amiga,
o seu partir
levou-me o vitupério,
o amargor,
a fétida bílis.
Amiga,
o chamar-lhe "amiga"
não será estranho,
paradoxo,
perfídia sarcástica?
Não:
partilhamos
o abrir das ondas,
o renascer das tílias,
o apontar da trajectória
duma qualquer lua,
da harmonia mundi.
Entre os abismos,
unimos o que nos afasta.
Isso basta.

Seu,
Jaime

1 comentário:

Graça Pires disse...

"partilhamos
o abrir das ondas,
o renascer das tílias,
o apontar da trajectória
duma qualquer lua,
da harmonia mundi.
Entre os abismos,
unimos o que nos afasta.
Isso basta." Para chamar Amiga, nada mais é preciso.
Um abraço.