quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Chopin, op. 9, nº 3


Esbracejei-me,
sorri-vos,
só as portas gargalharam desdentadas,
em gonzos, tramelas e guinchos de pó velho.
Um sopro de flautim
virou-me os olhos,
baços;
p'lo meio do caos,
o fosso revirado,
enojadas as lamas.
Em vogais,
em maresia,
troquei-me
por um quase herói financeiro,
seco,
tão cheio de números viscosos.

Em sonhos então:
Chopin, op. 9, nº 3
(foto extraída da internet)

3 comentários:

pedronunesnomundo disse...

encontrei um lugar calmo dentro da minha cabeça, encostei-me confortável dentro de mim e pus a correr o "teu" Chopin, enquanto (re)lia o teu post

é fantástica a habilidade humana para codificar o mundo personalizando-o à sua medida e para o descodificar chegando ao outro...

como nos é possível falar tantas línguas de sensibilidade com os outros? e entendê-los?
decerto uma das muitas maravilhas da Criação que me mantêm um homem siderado com a beleza eventual do Mundo

um abraço,
mais um,
meu amigo

Jaime A. disse...

Merecemos tudo isso, mais Chopin e todas as coisas que a boa parte do mundo tem para nós. Eça dizia; "A estupidez tem cabeça de toiro, há que espetá-la". Que as estupidez do mundo seja sempre sobrepujada pelo que este tem de excelente.

Eduardo disse...

Parabéns pela obra versada e calcada em caminhos tão belos e bons. És um iluminado!! Forte Abraço!!