segunda-feira, 1 de setembro de 2008

K

fotografia


Aqui perdia a vista,


ganhava o sonho.


Aqui sorria ao mundo,


cambaleava na paixão


do iridiscente,


adentrava-me na loucura.


Aqui poisava o braço,


o queixo,


o riso já maduro;


como criança mirava o vento,


fulgurante de mil cores;


aninhava-me nos prados,


nas colinas,


banhava-me nas águas,


fluindo na memória,


escorrente em encantos


dum outrora já fugido;




e ria... ria muito,


ria como se fosse


o meu último riso,


no meu último leito,


na minha derradeira espera.
(inspirado num álbum de blindness)
(Fotografia de J.N.)

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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