sábado, 30 de junho de 2007

K

Deserto

Caladas as palavras,
sentado em mim,
cobre-me a solidão...

Calada a luz,
em alva negritude,
espalha-se
qual balde de sangue,
em cerimónia
pagã.

Arfando
vem o deserto;
em mim, nesgas
(farrapos)
acolhem-no,
como as palavras
(caladas)...


(inspirado num poema de Moriana)

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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