quarta-feira, 6 de junho de 2007

A Deus

Ressoavam ecos,
entre altares labirínticos,
em templos há muito sepultados;
num adeus longínquo, saudoso.
Mil vozes entoando,
subindo em crescendo, alargando,
expandindo, pulsando
nos corredores duma memória,
tão adormecida, esquecida,
dormente de um Deus
há tanto tempo
esperando a Criação,
que lhe fora virando costas,
desaparecera,
nem Ele sabia para onde…

Hoje, a Deus.
Agora, a Deus, devotos.
Desprezados,
torturados,
esmagados,
num Reino que o Senhor disse
não ser o Seu…
Joelhos pregados,
mãos juntas,
erguidas,
numa prece lenta, sem pressa,
numa prece já esquecida por Deus…
Debruçou-se, então, sobre a Terra,
criação Sua,
enlevo Seu.
Suas mãos aconchegaram
o Seu Povo crucificado.
(Mãos de Deus num enlevo nas mãos juntas dos homens).
Deus suavemente silenciou
os Seus anjos.

E uma Paz já esquecida,
flutuou sobre o Pastor,
iluminou o Seu rebanho,
suave, docemente....


(16/08/97)

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