sábado, 5 de maio de 2007

K

Rio


O Teja que tudo limpa,
varre as saudades,
leva as farpas doces,
o ser que fui,
a melancolia agreste,
pedaços de maresia
calcam a minha vida,
assassinada todos os dias,
retornada sempre
em fios de névoa
espartilhados pelas velas antigas
de barcos que foram
e levaram memórias
(até de mim);
iço-me ao espelho
do tempo
e apenas revejo a neblina
no meu rio
que banha a minha aldeia.

3 Comentários:

Blogger helena disse...

"O Tejo que tudo limpa"...que tudo lava, que tudo leva, e que tudo traz de novo, no seu eterno movimento rumo ao mar.
O Tejo que sendo o mesmo, nunca é igual.
O teu Tejo despertou em ti este belo poema que muito me tocou, pois revejo-me nele, no que sentia quando o olhava.
Beijinho amigo e bom domingo

domingo, 06 maio, 2007  
Blogger Joaquim Sobral Gil disse...

Ainda bem que te tocou este "Tejo", Helena.
É para isso que escrevo: por que sinto e me toca e para que toque o outro.
Boa semana

segunda-feira, 07 maio, 2007  
Blogger Quid Iuris? disse...

Para mim, com vício do mar, sempre foi difícil, talvez ainda o seja, perceber a fantasia do Tejo que tanto cantamos, escrevemos, poetizamos.Mas compreendo sentindo, que o Tejo é triste. Porque sabemos de onde vem e sabemos para onde vai, no entanto, quem lhe consegue apanhar as ondas e prende-las em palavras, compreende-o além da tristeza...ali...onde já só há poesia.

segunda-feira, 07 maio, 2007  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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