sábado, 5 de maio de 2007

Rio


O Teja que tudo limpa,
varre as saudades,
leva as farpas doces,
o ser que fui,
a melancolia agreste,
pedaços de maresia
calcam a minha vida,
assassinada todos os dias,
retornada sempre
em fios de névoa
espartilhados pelas velas antigas
de barcos que foram
e levaram memórias
(até de mim);
iço-me ao espelho
do tempo
e apenas revejo a neblina
no meu rio
que banha a minha aldeia.

3 comentários:

helena disse...

"O Tejo que tudo limpa"...que tudo lava, que tudo leva, e que tudo traz de novo, no seu eterno movimento rumo ao mar.
O Tejo que sendo o mesmo, nunca é igual.
O teu Tejo despertou em ti este belo poema que muito me tocou, pois revejo-me nele, no que sentia quando o olhava.
Beijinho amigo e bom domingo

Joaquim Sobral Gil disse...

Ainda bem que te tocou este "Tejo", Helena.
É para isso que escrevo: por que sinto e me toca e para que toque o outro.
Boa semana

Quid Iuris? disse...

Para mim, com vício do mar, sempre foi difícil, talvez ainda o seja, perceber a fantasia do Tejo que tanto cantamos, escrevemos, poetizamos.Mas compreendo sentindo, que o Tejo é triste. Porque sabemos de onde vem e sabemos para onde vai, no entanto, quem lhe consegue apanhar as ondas e prende-las em palavras, compreende-o além da tristeza...ali...onde já só há poesia.