quinta-feira, 29 de setembro de 2016

fim


Chego ao fim.

Os meus mastros gemem
na proporção 
do enfunar das velas.
A quilha escorregadia,
habitação de infinitas cracas,
e afins,
anseia pelas mãos dos homens.

Conheci tantas águas,
adormeci sob tantas estrelas 
e todo o meu caminho 
foi apenas o regresso 
ao porto de partida.

Sei que os mares

são muito mais do que 7,
e que os oceanos 
muito mais do que 5,
pois tantas vezes 
as vagas eram mais altas
do que a gávea,
paredes escuras, 
pétreas, rijas,
águas-vivas infinitas.

Terei visto tudo.
Já sirvo há muito:
gerações de marinheiros
aprenderam comigo
o ofício;
lutei o bom combate,
guardei a fé,
nada mais espero.

1 comentário:

Graça Pires disse...

Marinheiro de teus sonhos, trazes nos olhos a imensa nostalgia de outro mar...
Um poema excelente, Jaime.
Uma boa semana.
Beijos.