sexta-feira, 1 de abril de 2016

sebes



Os arbustos lançavam chispas,
sebes vivas.

Era um caminho poeirento,

cálido.
Sempre aqueles quase-dedos
velozes,
na busca feroz do seu corpo.
Mas seguia,
sempre.
Havia tempo
que o sol já não era companhia,
apenas tortura,
que a brisa
era apenas um vento quente,
amargo,
seco.
Doía-lhe aquele trilho
que lhe ia macerando,
sem dó,
toda a vida
até lá longe,
ao refúgio
(do amanhã)


1 comentário:

Graça Pires disse...

Às vezes o "refúgio da manhã" fica tão distante que é preciso ganhar asas...
Um beijo, amigo.