quinta-feira, 14 de abril de 2016

K

madrugando

Adormecer.

É na dureza da tábua 
que se adentra a manhã,
deslizando-se sem torpor,
sem fricção.
É a madrugada
que roça as pálpebras,
o som do pó nas tábuas,
a noite esquecendo-se
pelas frinchas.
As folhas das árvores,
os ramos na ginástica da brisa,
o sorriso desdentado de um velho tronco.

A madrugada sopra,
de mansinho,
os restos da noite,
a poesia do sonho 
legitimado.














Varre, também,
a loucura dos olhos teimando-se 
abertos, 
a obsessão do pensamento 
ladeado na demência
das horas lentas,
fincadas no infinito.

É na madrugada
que se assina o pacto
com a luz,
mesmo na dureza
do seu refulgir metálico.

("Sê a tua própria dona.
   Se te inquirirem,
   sê uma só voz.
   Que nunca tenham uma ponta,
   um só átomo contra a tua conduta."
   Fala de Filemon a sua amada Baucis)


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3 Comentários:

Blogger Graça Pires disse...

"A noite esquecendo-se pelas frinchas"... e o poema legitima qualquer sonho.
Muito belo!
Um beijo.

segunda-feira, 18 abril, 2016  
Anonymous sandrinha disse...

Gostei imenso daquilo que tu escreveste,está simplesmente espectacular!!

sexta-feira, 29 abril, 2016  
Blogger Mariazita disse...

E o peso das pálpebras acaba por vencer e chega, por fim, o sono reparador, pondo fim à longa insónia!
Lindo! GOSTEI!

Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

domingo, 01 maio, 2016  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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