terça-feira, 12 de julho de 2011

ponto

É naquele instante,
no momento fixo,
nem antes nem depois,
no eixo da simetria improvável,
no acaso de um tiro na noite,
que o "flash" irrompe,
um véu pela madrugada fora:
os campos,
os telhados,
tudo reluz na vizinhança de um ponto,
o ponto breu.
Já nem se entalham os montes,
as veredas secam ao vento,
intratáveis,
as terras galgam o céu,
na busca do raio do círculo...

Hoje, como ontem,
o decote do horizonte
orla virtudes
nas réstias de todas as eras,
desvanecendo-as 
na simetria 
de um ponto
cego

(foto do autor 
obtida com telemóvel:
Curia, Anadia)

"Se caminhares em círculos,
 chegarás mais depressa,
pois os caminhos de um homem 
são igualmente assimétricos."
(Fala de Dioniso a Fernão de Magalhães,
na sua partida)

2 comentários:

Rafael Castellar das Neves disse...

Excelente!!!!

Gostei do estilo e desenvolvimento!

[]s

Graça Pires disse...

Um ponto de luz a iluminar o poema.
Beijos, amigo.