terça-feira, 25 de janeiro de 2011

K

art deco

Era a parede que me fechava,
que, da porta dos meus sentidos,
me levava ao abismo;
escorregavam-me as mãos,
e eu descia por mim abaixo,
talvez sonhando com o triunfo de um Inverno;
mas um Inverno tão frio, tão custoso
como outro qualquer,
em que nem a parede sustivesse
o olhar,
o gesto frugal,
o franzir da vida;
um Inverno espelhado na parede,
nesta parede que me moía,
que me tragava a alma,
que fazia meus dedos derraparem,
ensaguentados;
um Inverno assim,
espantou-me os limites
muito para além da angústia,
ainda aquém daquele lustro
das paisagens "art deco"
que a memória ainda sugere...

(fonte da imagem:

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4 Comentários:

Blogger Graça Pires disse...

"Muito para além da angústia" há o fascínio do abismo e dos invernos que nos descontentam. Só assim os Poetas preservam a fragilidade das palavras. Um belo poema!
Um beijo, Jaime.

quarta-feira, 26 janeiro, 2011  
Blogger Nilson Barcelli disse...

Magnífico poema.
Gostei imenso, caro amigo.
Abraço.

quarta-feira, 26 janeiro, 2011  
Blogger Lara Amaral disse...

Jaime, gostei de vir aqui, grata surpresa ter te recebido no meu blog. Obrigada!

Beijo.

quinta-feira, 27 janeiro, 2011  
Blogger Rody Cáceres disse...

Olá Jaime! Estou esperando uma colaboração sua para o meu blog. Será uma honra receber seus trabalhos. Abraços.

Aguardo...

sexta-feira, 28 janeiro, 2011  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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