segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A descida

Agora desço por este poço,
na espera da glória,
pois houve madrugadas que me cegaram,
caminhos que a minha mente desprezou;
agarro a corda,
agarro a vida,
em baixo não há nada,
deixo meus olhos rolarem
e a Lua insiste em tapar-se,
como odalisca, de súbito casta;
paredes empedradas
em jeito de caminhos sustidos,
em rendições plenas,
calçadas de quase-glórias.
Nem a água escura,
sentida,
me leva à plena posse do pecado...

(fonte da imagem:
http://embernardo.blogspot.com/,
poço iniciático na Quinta da Regaleira,
Sintra)

2 comentários:

Rafeiro Perfumado disse...

Só não concordo com "em baixo não há nada". Haver há, pode é estar demasiado fundo!

Abraço!

Graça Pires disse...

O fascínio do abismo!
Um beijo.