segunda-feira, 18 de outubro de 2010

K

queda X

Que fizeste do tempo que te hão consentido?
Que bafos respiraste,
que passos deste
para que teus sonhos se não completassem?
Praticaste o crime dos sem-memória,
daqueles que velam nas esquinas
transidos, apertados pelo ontem, pelo amanhã;
exumam  o hoje,
entre gargalhadas dispersas, cavas,
e cruzam os olhos nas distâncias,
nas paredes onde medras,
líquene,
musgo,
graffiti imaculado,
espelho curvo sobre ti mesmo...
(fonte da imagem:
http://ledali.com/page/1/salvador-dali,
Salvador Dali: "Persistência da memória)

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3 Comentários:

Blogger heretico disse...

sob o signo da Poesia... Portuguesa aqui vim bater!

gostei da "respiração" do teu Poema! que revela qualidade. muita.

aceita um abraço

quarta-feira, 20 outubro, 2010  
Blogger Graça Pires disse...

Um poema para nos interrogarmos. Um poema para que a nossa memória não esqueça entregas e recusas...
Um poema muito belo.
Um beijo.

quinta-feira, 21 outubro, 2010  
Blogger Nilson Barcelli disse...

Leio-te há algum tempo.
E noto, desde a primeia vez até agora, uma grande evolução.
Este poema, por exemplo, tem uma solidez poética notável.
Não sei onde vais parar, mas presumo que bem alto...
Um abraço, caro amigo.

sexta-feira, 22 outubro, 2010  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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