segunda-feira, 18 de outubro de 2010

queda X

Que fizeste do tempo que te hão consentido?
Que bafos respiraste,
que passos deste
para que teus sonhos se não completassem?
Praticaste o crime dos sem-memória,
daqueles que velam nas esquinas
transidos, apertados pelo ontem, pelo amanhã;
exumam  o hoje,
entre gargalhadas dispersas, cavas,
e cruzam os olhos nas distâncias,
nas paredes onde medras,
líquene,
musgo,
graffiti imaculado,
espelho curvo sobre ti mesmo...
(fonte da imagem:
http://ledali.com/page/1/salvador-dali,
Salvador Dali: "Persistência da memória)

3 comentários:

heretico disse...

sob o signo da Poesia... Portuguesa aqui vim bater!

gostei da "respiração" do teu Poema! que revela qualidade. muita.

aceita um abraço

Graça Pires disse...

Um poema para nos interrogarmos. Um poema para que a nossa memória não esqueça entregas e recusas...
Um poema muito belo.
Um beijo.

Nilson Barcelli disse...

Leio-te há algum tempo.
E noto, desde a primeia vez até agora, uma grande evolução.
Este poema, por exemplo, tem uma solidez poética notável.
Não sei onde vais parar, mas presumo que bem alto...
Um abraço, caro amigo.