quarta-feira, 9 de junho de 2010

jorna(das)

Venho pelos caminhos da cidade:
enterro meus olhos
na busca frenética do emudecimento,
talvez dê a mão à virtude
de nada ser,
de tudo estar,
de fingir ser;
alugo-te, então, meus olhos:
já não vês a claridade,
o topo das estremas dos corvos,
já nem calcorreias os caminhos dos poentes;
sorris às minhas mãos soltas:
não as pedes,
nunca tas darei,
nem no semi-círculo dos lábios,
nem no sorriso do frouxo entardecer.

Sabes? Hoje levas os meus olhos:
passeia-los por onde não haja maldição,
                               castigo,
                               loucura.
Por que voltaste tão cedo?
(fonte da imagem:

4 comentários:

Graça Pires disse...

Ir pelos caminhos do vento de olhar disponível e mãos soltas. Deixar que a luz dos olhos se embriague dos poentes cor do fogo. Saber encontrar a fonte pelo cheiro da sede...
Um belo poema, amigo.
Beijos.

Luana disse...

“Sabes? Hoje levas os meus olhos:
passeia-los por onde não haja maldição,
castigo,
loucura.”
___
Um beijo divino!!!

maré disse...

porque às vezes apetece olhar para além do caminho que nos pesa o passo, aceito os teus olhos.
e se preciso for, a tua voz para me narrar os dias.
a ser-me a foz
das sombras inclinadas
sobre o coração.

___
terno beijo Jaime.

Lídia Borges disse...

Os olhos que não ousam ver... O olhar que se deseja mais além, "onde não haja maldição, castigo,loucura" longe dos poentes.

Um beijo