terça-feira, 29 de dezembro de 2009

sucessão finita

nada digo:

o tempo assalta-me de pudor
e a minha voz, frágil chicote de vento, é ancoradouro das trevas.
(comentário de maré ao meu poema 'fugas')

arvora-se-me o tempo
pelo silêncio,
o gotejar da memória
corrói-me as têmporas;
liso é o resvalar dos murmúrios,
no soturno vazio
de cascatas,
feridas
na pudica sucessão das horas...

4 comentários:

Paula Raposo disse...

Gosto das tuas inspirações e das tuas fontes...
bom ano novo. Beijos.

maré disse...

o tempo
memória e muro
árvore e silêncio.
um silêncio dilatado de veias...

____

cruzamento de um beijo e desejo de fabuloso ano Jaime

Graça Pires disse...

O silêncio. O tempo. A pudica sucessão das horas. Tudo neste poema nos diz que é o tempo que faz e desfaz a vida que nos coube.
Beijos e um ano de 2010 melhor.

Martinha disse...

Lindo, lindo, lindo!
Beijinhos e Feliz ano novo!