quinta-feira, 1 de outubro de 2009

"Quando escrevo é como se meu corpo aquecesse"
(Carlos Drummond de Andrade)

Destilo palavras,
que calidamente
espreitam os meus poros.
Elas misturam-se
com as pérolas de suor,
com o que sinto
de mais grandioso,
ou abjecto.
O meu corpo aquece,
as falas,
até as sílabas, 
iluminam-no
em jeito de candelabros
{quase}.
Perlam-se os sinónimos,
os adjectivos,
frase abaixo;
apenas o meu pulso 
fiel ao que escrevo,
toma o verbo,
e espalha-o,
vibrante,
em câmara escura...
sonante,
numa vaga loucura
errante...












(imagem retirada da net)

[Este é o meu mote:


Pilriteiro que dás pilritos
por que não dás coisa boa?
Cada um dá o que pode
conforme a sua pessoa.


Aceitem, pois,
os meus modestos "pilritos"
que convosco vou partilhando...]

3 comentários:

Graça Pires disse...

As palavras são quase sempre um refúfio, uma fuga, uma pausa...
Gostei do poema.
Beijos.

maré disse...

não sei que se passou
.


durante infinito tempo não consegui aceder ao Sopro Divino, por isso o recado deixado. tinha saudades de passear-me por aqui. tantas


e agora? como vou conseguir pôr a leitura em dia?

__
um beijo, plácido de Penélope

Paula Raposo disse...

Gostei...fazes-me sorrir. Beijos.