domingo, 30 de agosto de 2009

via crucis


Desci pelo afago da varanda,
o Sol apagava a última estrela,
mas não cheguei ao final.
Era fugaz a memória do aparecer,
a espinha da noite
a cobrir meus passos,
mas não cheguei ao final.
Vislumbrei, na perspicácia do riso,
três, talvez quatro, aconchegos,
mas não cheguei ao final.
Não houve falas entarameladas,
ou vozes parcas em mistério;
não tive o carinho da viagem,
o resquício da gargalhada,
ou a gentil malga do jejum;
corri pela Grande Muralha,
saltitei no Tecto do Mundo,
cavalguei bestas-feras,
másculo, furei os antípodas,
sem qualquer mácula,

mas não cheguei ao final!!

(foto do autor tirada com telemóvel: serra do Caramulo)

3 comentários:

Delírios Cotidianos disse...

Amigo, minha surpresa foi notável ao ler o teu comentário e saber que o mesmo é oriundo de um escritos português. Fiquei admirado ao perceber o alcance que um blog pode ter. Gostei muito dos teus escritos, são de uma profundidade muito interessante.

Só para esclarecer, sou um escritor amador, escrevo simplesmente para expressar minhas ânsias e angústias. Possuo formação na área das Artes Visuais, ficando a escrita como base de apoio para minhas criações.

Bem, vou ficando por aqui para não me tornar cansativo, seguirei visitando o blog e acompanhando o fluxo das tuas poesias.

Abraços!!

Anónimo disse...

ÀS vezes o final is over rated...outras vezes é melhor persistir em alcançá-lo, mesmo correndo o risco de que, ao tocá-lo, percamos tudo...um abraço do teu papagaio preferido

Paula Raposo disse...

Mas também gosto deste...é claro!! Beijos.