domingo, 9 de agosto de 2009

Cá-las

Sinto em mim os compassos,
as notas em singular escalada;
sim, sobem
sobem sempre
em ritual augusto,
solene na majéstica figura.
Em seu redor,
as sombras recuam respeitosas,
reverentes;
alaga em luz e mistério
a boca de cena,
o auditório transido.
Timbra,
percute
o rosto,
o gesto vadio,
as mãos surdas,
o Mar Jónio,
a Grécia
sempre...


Norma, Medeia, Tosca, Lucia
abraçam-na
em oferta maternal,
risonha,
quando explode
"...chanter dix fois la même ópera... ça n'est-ce pas de l'art!!..."

(imagem retirada da net)

3 comentários:

Sonia Schmorantz disse...

Gostei muito de conhecer este espaço também. Tenha uma ótima semana.
abraço

Paula Raposo disse...

Gostei da homenagem! Beijos.

Nilson Barcelli disse...

Nunca assisto a uma ópera ao vivo.
O teu poema é magnífico, conseguiste captar o sabor da ópera.
Boa semana, abraço.