terça-feira, 30 de dezembro de 2008

parti - turas

As fronteiras esparsas,
os vincos estreitos.
A tristeza submersa
em olhos de carregados;
o embrulhar-se em si próprio,
os pulsos algemando os joelhos.
A mente estacada, distante,
cosida aos olhos cegos
num finíssimo adaggio.

(Lá vai o maluco, lá vai o demente...).



Um subtil despertar,
lento, suave
mas em progressão aritmética;
a mente desatando-se,
os joelhos libertando-se,
a tristeza transmutando-se
em sorriso largo.
Os pulsos berram de gozo!
A língua destrava-se em mil librettos!
O desejado allegro vivacce!!...
Os bolsos alegremente ocos...

(ou julgas que não existe ninguém que te veja...).

O amanhã fugiu serra acima;
este nanossegundo é,
e nada mais.
Há que trepar vida fora
para que a queda seja ainda mais fragorosa,
de borco para o nada,
para as lágrimas,
desejosas de lavar memórias.
Por que queres ser
"Requiem" e "Concerto em Ré Maior"?
Porquê a sumptuosidade,
porquê a soberba magnificente do génio?

Sofrer sempre,
ser ditoso
numa leve pausa
entre dós...


(em itálico, fragmentos de António Variações)
(imagem retirada da net)




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