domingo, 9 de dezembro de 2007

K

nós?

e eu quero,
um nó de forca,
para bem longe.
longe, afastado,
e os meus tempos
caminham furtivos,
assim a passo rápido
e distante,
onde as palavras já não se dizem,
onde nada existe;
e o húmus escorrendo pelas veias do tempo,
lembra este absurdo,
de uma vida que se torce,
não vem,
não retorna de sítio algum.
ao sabor da corrente
seguem memórias,
a alma calou-se há muito,
e há um cego
e um violino
à esquina do marulhar da solidão...

(a partir de um poema de blindness)

4 Comentários:

Blogger Blindness disse...

Um beijo enorme querido amigo

terça-feira, 11 dezembro, 2007  
Blogger Jaime A. disse...

Outro gigante para ti. Seja qual for a razão por que me mandaste esse beijo, tenho o maior dos prazeres em retribuir.

terça-feira, 11 dezembro, 2007  
Blogger helena disse...

Amigo
Pego na tua última palavra:"solidão" e penso que a verdadeira solidão é não sermos capazes de dar voz à "alma". É a nossa incapacidade de renascermos e de nos reencontrarmos com nós próprios.
Um beijinho

quarta-feira, 12 dezembro, 2007  
Blogger Jaime A. disse...

É verdade, Helena. Por isso é que, talvez, os portugueses de tão solitários sejam verdadeiramente tão "poetas".

quarta-feira, 12 dezembro, 2007  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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