quinta-feira, 22 de novembro de 2007

O sonho da morte

Entre todos os caminhos,
no fim de qualquer atalho,
a morte espera-nos.
Atávica, serena da certeza,
sempre sedutora,
o não-ser que nos atrai,
num voo letal
e desejado
pelas colinas do tempo.
Ficam longe
os vagidos da primeva vida,
as alegrias
das idades de ouro.
Por entre as paredes,
esconças,
algures nas veredas,
abandonamo-nos,
ao fascínio
do último voo...

2 comentários:

Quid Iuris? disse...

A morte não pode ser um sonho. porque o sonhar depende do não alcançar...ainda.
porque o sonhar depende do não ser tempo...ainda.
porque a morte é o alcançar...finalmente.
egoistamente, espero que todos os meus amados só alcancem depois de mim. bjinhos e bons poemas

Jaime A. disse...

A morte é o alcançar e "a morte espera-nos". Implacável.
Sonhar a morte é o devaneio do "fascínio do último voo".
Quanto aos amados (ou amadas) a alcançarem depois de mim, não sei se é bom para quem parte ou para quem fica... "fica" lançada a discussão ;)
Aparece mais vezes, quid juris. A tua sageza e bom humor são sempre bem-vindos.
Beijinhos