sexta-feira, 2 de novembro de 2007

(tempo...)

É quarta-feira..
os dias escorrem
semana fora;
tenho em mim
o sabor do tempo,
do tempo em que o pó
se levantava, ante mim,
uma vaga de miséria pois...
ela subia,
subia,
subia mais ainda,
pendurando-me nos reposteiros
de ontem...
Ontem, já não era terça,
esgotou-se o tempo,
o tempo do pó (...)
ainda não há marés,
marés daquelas
em que a água afaga o pó,
daquelas em que o fogo
se engole em fúria,
daquelas em que ficamos
vivos e,
e no espanto,
do absurdo de um tempo,
de um tempo que não se afasta,
que foge quarta-feira adentro,
e não queremos quinta,
e ele já nos chama Domingo à noite,
na pressa,
na angústia
de um relógio parado,
na míngua de um nó na garganta,
no desejo da fuga p'ra trás...
(...agora e para sempre...)

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