quarta-feira, 14 de novembro de 2007

K

Entre rochas


Há pedras

que caminham nas minhas costas

há tanto tempo

que me estão incrustadas.

Longas as esperas,

longo o tempo,

em que me vejo,

só,

só as pedras

sempre comigo.

Caminho direito,

no meio de sonhos,

entrecruzados de mentiras...

solto-me,

as pedras vêm,

e o caminho igual,

quase ressentido

desta constância,

constante da rocha

que me faz igual a mim mesmo,

enquanto vou,

quase vacilante,

por veredas

(caminhos esquecidos)

para que as minhas pedras

não sejam tropeço

para mais ninguém.

7 Comentários:

Blogger Blindness disse...

Todos as temos, felizes os que têm com quem dividir o peso dessas pedras...

sexta-feira, 16 novembro, 2007  
Blogger Jaime A. disse...

É verdade, blindness.
No entanto, tenho por vezes a tentação de virar as costas, carregar a minha cruz e seguir adiante...

domingo, 18 novembro, 2007  
Blogger Jaime A. disse...

É verdade, blindness.
No entanto, tenho por vezes a tentação de virar as costas, carregar a minha cruz e seguir adiante...

domingo, 18 novembro, 2007  
Blogger helena disse...

Quantas vezes as pedras fazem tanto parte de nós que se confunbem connosco, ou nós com elas.
Mas há o sentir
Há a sobrevivência
Há os amigos que nos ajudam a carregá-las.
Um beijinho

domingo, 18 novembro, 2007  
Blogger Jaime A. disse...

Sim, Helena, se não fossem os amigos o peso das pedras era insuportável. Penso que o agradecimento é pouco, sempre.
Beijos

domingo, 18 novembro, 2007  
Blogger musalia disse...

gosto de pedras, as dos monumentos, das calçadas, as que o mar nos oferece. gosto de apanhá-las e guardá-las em frascos transparentes.

(todos nós arrastamos connosco, sedimentos...)
*

segunda-feira, 19 novembro, 2007  
Blogger Jaime A. disse...

Sim musalia, concordo contigo; e feliz é aquele que consegue ver a arte, emocionar-se com as pedras do caminho. Carrega umas, as outras mira-as e segue com um fito no horizonte.
Aparece sempre! És muito bem-vinda :)

terça-feira, 20 novembro, 2007  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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