sábado, 28 de novembro de 2015

K

afastando-se

Despego-me de alguns,
daqueles que me perderam;
as amarras,
os laços esgotam-se,
desfiam-se;
vejo o mar,
olho o passado
e firmo as memórias
que em mim cabem.
Hoje, na pirueta das ondas,
no regresso das vagas
ao mar chão,
apenas sobra 

o desgaste,


a polução rota 
do esquecimento.

("Opta pelo silêncio,
haverá sempre quem 
se esquivará 
dos teus caminhos,
e nas esquinas falará
dos teus actos.
Que a tua cabeça seja hirta
como o Sol, 
nada te atormentará, então."
Fala de Titus, o historiador,
a seu discípulo Justinus)

(foto do autor obtida
com telemóvel)

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1 Comentários:

Blogger Rafeiro Perfumado disse...

Com o frio que está, gabo-te a coragem de poetisar sobre água. Não seria melhor falar sobre lareiras? Abraço!

quarta-feira, 02 dezembro, 2015  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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