domingo, 13 de setembro de 2015

K

Manhã dolorosa


Foi no dia em que o imperador se 

curvou perante a morte.

A guarda imperial prostrou-se nas 

escadarias do palácio.

Suavemente, os outros guerreiros 

ajoelharam depondo as espadas, as 

lanças, os escudos. Faziam-no 

ingenuamente: inútil é lutar com a 

morte: se esta levara o imperial 

senhor, por que não o faria com eles, 

os mais fortes de entre os mais fortes 

de todos?

Agora, o império era um campo 

desguarnecido, território jacente numa 

aflitiva abertura à Europa.

(Publicado em 77 palavras, o blogue de Margarida Fonseca Santos)
(Fonte da imagem: https://bibliblogue.files.wordpress.com/2014/04/manfred-von-richthofen-4.jpg)

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1 Comentários:

Blogger Graça Pires disse...

"Numa aflitiva abertura à Europa". É assim que estão os que morrem a procurar viver ou sobreviver... Esquecem-se os "grandes senhores" que a morte também os atinge.
Um belo e subtil poema.
Um beijo, Jaime.

sexta-feira, 18 setembro, 2015  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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