domingo, 13 de setembro de 2015

Manhã dolorosa


Foi no dia em que o imperador se 

curvou perante a morte.

A guarda imperial prostrou-se nas 

escadarias do palácio.

Suavemente, os outros guerreiros 

ajoelharam depondo as espadas, as 

lanças, os escudos. Faziam-no 

ingenuamente: inútil é lutar com a 

morte: se esta levara o imperial 

senhor, por que não o faria com eles, 

os mais fortes de entre os mais fortes 

de todos?

Agora, o império era um campo 

desguarnecido, território jacente numa 

aflitiva abertura à Europa.

(Publicado em 77 palavras, o blogue de Margarida Fonseca Santos)
(Fonte da imagem: https://bibliblogue.files.wordpress.com/2014/04/manfred-von-richthofen-4.jpg)

1 comentário:

Graça Pires disse...

"Numa aflitiva abertura à Europa". É assim que estão os que morrem a procurar viver ou sobreviver... Esquecem-se os "grandes senhores" que a morte também os atinge.
Um belo e subtil poema.
Um beijo, Jaime.