quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Noite sem resposta



Noite de trovões,

de arruaça nos céus.

Uma casa destacando-se,

na sua pequenez,

no meio da cidade.

Por entre as árvores,

fui-me chegando,

as mãos tremendo no gesto;

gesto contido,

os dedos acariciando o vidro,

mais do que batendo.

Repeti,

a voz sussurrada

a acompanhar o chamamento;

respondia-me o fragor,

anulamento da minha chamada.

O quintal,

as árvores-penumbra,

continham a sombra

que me seguia,

quase réstia de mim.

A janela abriu-se,

nem terão sentido

os meus passos.

(fonte da imagem:

http://junkpit.net/2011/freehand-flinders-street-at-night-colour-and-black/)

(publicado no blogue 77 palavras de Margarida Fonseca Santos)

1 comentário:

Graça Pires disse...

Um poema que deixa a minha imaginação à solta. Parece um "guião" de um filme. Gostei muito.
Um beijo, Jaime.