domingo, 9 de agosto de 2015

Algumas faculdades


Foi-se aproximando o tempo das letras.
Letras,
mirando atalhos,
fixando-se num poente
em que a dor já nem se escreve.
As letras, serpenteando,
indagam o traço de união,
o hífen que as torne palavras,
[onomatopeias servem].
Letras,
que as marcas renovam,
travestindo-as
num ritmo cigano,
entre palmas, sapateado:
grave, agudo ou circunflexo,
cedilha,
“nada se perde…
tudo se varre
pelo tempo fora”.
Sim,
foi chegando a era das letras,
que se engolem,
se ignoram,
em sms efémeras.

("Rega a tua vida de saber, também.
Olha mais para o belo, sabe escassamente
o que os outros dizem. Deixa que a arte 
te afunde e te abençoe."
Fala de Demóstenes a Péricles,
ainda na Democracia) 

(imagem de Francisca Torres, 
blogue 77 palavras de 
Margarida Fonseca Santos)

2 comentários:

Graça Pires disse...

As letras, meu Amigo Jaime, são tão caprichosas e cada vez mais efémeras, esquecendo cada vez mais o fogo onde ardem os nossos sonhos...
Um beijo.

Boop disse...

A magia das palavras escritas (bem escritas) é única. O encontro que permitem, connosco próprios e com outros. As viagens que proporcionam. Os mundos que desvendam.
As palavras abreviadas, são instrumentos. Servem um fim concreto e imediato. Não estamos a falar da mesma coisa!