sábado, 28 de fevereiro de 2015

Olhos

Hoje, apeteceu-me o carinho
dos teus olhos.
Apeteceu-me o toque
dos teus olhos no meu pescoço,
nos meus ombros.
Apeteceu-me ainda mais
a carícia dos teus olhos 
nos meus,
o veludo da tua íris
a passear assim,
um rasto 
aterrando suavemente
por mim acima,
perdido talvez 
nos sussurros das árvores,
recuando até aos deuses
que nos foram esquecendo,
na sua truculenta escapada.
Talvez hoje a brisa dos teus olhos,
o teu devoto cuidar
sejam memórias sentidas,
apenas.


(também publicado no blogue
77 palavras de Margarida Fonseca Santos)

(Fonte da imagem:
http://www.slate.com/articles/technology/future_tense/2012/03/eye_tracking_computer_programs_and_privacy_.html)

2 comentários:

Graça Pires disse...

O brilho, o carinho, a expressão de um olhar veste-nos de espanto...
Um belo poema.

P.S. Não tenho conseguido entrar nos comentários deste blogue.
Um abraço, Jaime.

Jaime A. disse...

A