segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

arame de aço

Uma sombra espelhada,
um resto de penumbra,
[também]:
havia muito que os céus
despejavam significantes
sem significado,
e as trovoadas
gritos,
sombras,
e as chuvas
suspiros
penumbras;
trevas,
cortina de palco,
bailador  anónimo
a rabiscar,
a garatujar
[e sempre a perder],
um apelido
preso no arame farpado do tempo;
em ciclo veloz,
desbaratando,
precipitando-se pelos significados,
arrastando-os
esmagando-os
contra o arame farpado…
cilindrando-os,
num cume escarpado,
vertigem, poço…
File:Barbed wire.jpg
Já em paz
caminho agora
pelas volutas da morte.

(desafio usando as palavras "apelido preso no arame farpado" no blogue 77palavras.blogspot.com)
(fonte da imagem: http://simple.wikipedia.org/wiki/File:Barbed_wire.jpg)

2 comentários:

Graça Pires disse...

Poema forte. A contrapor vida e morte...
Beijo.

Daniel C.da Silva (Lobinho) disse...

Impressiva imagem na contraposição do poema...

abraço