segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

queda XXIV


Era sinuosa,
(lagarta imparável,
vento de Deus,
embaraço das nuvens),
aquela hera,
arrastada,
taciturna,
sempre que o entardecer
a imergia.
Ansiava pelo ar 
lodoso,
frio-aço 
que a envolvia,
ondulante,
queimava-a 
um desejo,
um rastilho
ainda apagado
pelo seu verde transparente
(quase).


Frio diadema,

quando regressas?
Quando te verei 
nos braços 
de um jazigo,
pedra tumular,
sarcófago
ou objecto vago ou
incorpóreo,
morada dilecta,
minha almofada.


(foto do autor

obtida com telemóvel:
Quinta da Cardiga)

2 comentários:

Graça Pires disse...

Uma hera a abraçar a casa e os sonhos que nela moram. Como dedos procurando o corpo...
Beijos.

Nilson Barcelli disse...

Um magnífico poema.
Gostei imenso das tuas palavras-era...
Um abraço, caro amigo.
Boa semana.