sábado, 31 de agosto de 2013

rampa

Afasto-me,
os meus braços
nem procuram os teus.
Não é zanga,
qualquer reacção,
não é sequer dor,
aquela dor que dói
nas lembranças emergentes.
É uma parede,
uma armaria
cheia de pistolas
nunca usadas,
brilhantes 
no seu desalento,
é a vida,
e tantas essas coisas 
que nos vão desapegando.
Parede: construção a dois,
Armaria: acasalada a dois,
Vida: extinta a dois.
É no colo do adeus
que mais te encontro,
é no teu sorriso brando
que me descaem as memórias:
um poema meu 
(escrito e esquecido),
que me leste risonha,
gritos ao vento invernoso
que nos abraçava o abraço,
o caminho que insistíamos ser nosso,
palmilhado pelos banhistas a toda a hora...
Agora somos sorrisos desmaiados,
incolores.
Alforriado,
abraço o vazio,
os meus ombros,
a volta do silêncio,
o prazer, 
o conforto da mudez.
E é nos passos surdos,
na semi-obscuridade
que reabro um título:
"Os belos e os malditos".

(Foto do autor
obtida com telemóvel:
Castelo de Torres Novas)

4 comentários:

© Piedade Araújo Sol disse...

por vezes liberdade também magoa...

:)

Rafeiro Perfumado disse...

A antítese de "há luz ao fundo do túnel"... ;)

Nilson Barcelli disse...

A dois, fazem-se muitas coisas boas e menos boas.
É a vida.
Magnífico poema, gostei.
Um abraço, caro amigo Jaime.

Daniel C.da Silva (Lobinho) disse...

Uma noite que é noite, que é escura, outorgando, porém, um estranho amanhecer confortável no vazio...

Gostei do ritmo e do que lhe subjaz...