quarta-feira, 28 de agosto de 2013

jogo de luas



Foi quando te vitrificaste
que me detive.
Paralisada,
entre os fetos,
naquele jardim de Inverno
que proclamavas teu.
Eras silicatos
que ardiam,
crepitavam
na noite
que se queria silenciosa,
mas cuja Lua
se esmerava nas marés
quase rompantes.
Brilhavas como nunca,
teus ombros oscilavam:
eram esmeraldas, eram opalas...
Havias estacado num triunfo de beleza,
num instante gelado,
tudo se decrepitaria a partir daí;
nunca te quereria ver anos depois,
serias, assim,
a juvenil, magnífica,
Vénus 
sem Botticelli,
seria assim que me perderia,
numa gazua 
expectante,
sem nada forçar,
a não ser a corrida da espera.
Nem ficaste indecifrável,
flor viçosa e corrente.
Apenas estatuária,
flor de sal,
nesse teu jardim de Inverno...

(fonte da imagem:

1 comentário:

Daniel C.da Silva (Lobinho) disse...

...mas aos olhos interiores, os outros são sempre "estátuas" :)