quarta-feira, 15 de maio de 2013

um fio

Acompanho-me à janela,
os bancos lá fora
gelam o que me resta;
sou,
- entre as volutas,
entre as colunas cegas -
um fio teso,
ríspido,
sendo-se;
já não vejo os clarões,
as matas refulgentes,
os fogos a que me sujeitei,
no falso gozo
de uma delinquência oculta,
labaredas já sem chama,
prostração requentada...
Vês?
Vês como me acompanho,
como me decreto
persona non grata
in casus belli,
uma justa sem ganhador,
por todos
terem morrido
às próprias mãos?
Vestígios de liça,
apenas...
("Sorri à morte,
abençoa os teus,
sê sereno nas tuas orações,
age antes de esperares
no teu Deus,
para que não te sintas defraudado."
Fala de Estêvão a Teófilo)
(fonte da imagem:

3 comentários:

Daniel C.da Silva (Lobinho) disse...

Um poema maior...

abraço

Rafeiro Perfumado disse...

A vida por um fio...

vieira calado disse...

Sim, meu caro!
Às vezes ficam só vestígios...
Forte abraço|