terça-feira, 26 de junho de 2012

K

cornucópia

Voltei atrás,
o tempo fitou-me,
para lá dos meus ombros.
Estreitei os meus olhos,
a busca inútil,
os olhos fechados
em espanto tinto
na chama do regresso.
Vem!
Sê audaz na busca!
Faz dos teus olhos
os diademas da tua vitória,
que o teu pulso
seja o signo da tua libertação,
que os teus pés estejam calçados
no clamor da paz.
O tempo fita-me,
os meus olhos abraçam
a imensidão dos sentidos.
Já não há restos de glória,
apenas os tempos mudaram:
os desaires,
as desgraças,
as derrotas,
as privações,
foram levadas pelos torvelinhos
da espuma das cornucópias.
Talvez o tempo seja agora o dono
das margens da abundância,
percalço ambicionado
de uma barcaça que não afundou!

(fontes das imagens:
1ª e 2ª: do autor obtidas com telemóvel
http://www.thebargemaria.com/thebargemaria/Home.html)

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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