segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

anoitece

Anoitece.
Ouvem-se, longínquos, 
os restos 
que as gentes deixam para trás.
A cidade estende-se 
para lá de si própria,
caminhando, lenta,
em procissão de fogachos.
Depois da refrega do dia,
há um torpor quase religioso,
uma batida em surdina,
que leva a cidade embora.
Embrulham-se nas sobras da luz
os que habitam nas volutas,
ziguezagueando firmes na certeza.

Há uma luz baça, avermelhada,
omnipresente,
refulgindo hirta,
por sobre o frugal saque do dia.

(fonte da imagem:
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/)

1 comentário:

Graça Pires disse...

O anoitecer. O fim de um dia de esperanças e coragens. A noite: o lugar dos desejos e dos sonhos.
Gostei muito do poema.
Um beijo, amigo.