quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

K
Quantos eus sou eu?
De quantos sonhos
tenho de me despir
para me reconhecer?
Quantas vezes
tenho de fixar as estrelas
para cravar a memória de mim mesmo?
Sou um louco
que passeia no arame,
um trapezista que voa
entre esgares hirtos,
com as mãos imóveis,
sobrepostas. 
Dispo o casaco que me aperta,
o eu que me vigia no espelho
é aquele que rodopia no trapézio
que sorri à ante-morte,
cuja face não mostra receio,
ou uma vaga, inóspita dor... 

(fonte da imagem:

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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