terça-feira, 22 de junho de 2010

aguarela

agora era o tempo das cerejas,
das cores rubras ao sol,
do cheiro acre das folhas tenras,
dos bagos de suor brilhando,
das bagas em nesgas de luz;

talvez a Primavera
desse a mão ao Estio,
em jeito de searas prenhas,
já inchadas de papoilas;

o regato não restolhava,
não limava já as margens,
as canas dobradas à sede;

o Verão não buscava o Outono
[afinal];

(...) tão breve
o tempo da demora...

(fonte da imagem:
http://blogdapraceta.blogspot.com/)

2 comentários:

Rody Cáceres disse...

tu és de RG? seguinte...estive pensando em organizar algum tipo de Sarau Aberto...seria uma reunião em um local pré-programado, aberto ao público e a todos os poetas que quiserem participar, para apresentação de trabalhos...cada poeta poderia apresentar três poesias...algo desse tipo...que achas? participarias? abraços.

maré disse...

o tempo a ser instante
no deslumbramento das papoilas

agora que a sede se implanta
e a terra
rente ao sol
geme
prenhe de luz

__

beijo Jaime