sábado, 11 de julho de 2009

mons veneras











Dois corpos,
como duas folhas de árvore
da ciência,
do bem e do mal,
fremitam em compassos binários,
em pausas de suspiro.
Celebra-se um Afecto,
profundo,
que cava mais longe,
mais lá,
do que um simples
e periódico membro.
Sob pulsos arcaicos,
ritmos velhos de alvor,
dois corpos sobem,
num movimento sábio,
arrastante,
num monte,
mais douto
do que aquele de Vénus.
Até a violência é bem-vinda,
acarinhada.
{Um nascente orgasmo espreita}
Por detrás do dilúvio,
jorram as oferendas
a uma deusa pagã,
reinando no templo,
penetrado até ao sacrossanto altar.

(Portalegre, 28/09/1994 às 23h45)

(imagem retirada da net)

1 comentário:

Paula Raposo disse...

Gostei do titulo e de todo o erotismo que emana das tuas palavras! Já lá vai um tempo, 15 anos!! Beijinhos.