sábado, 3 de janeiro de 2009

(...)

O corpo foi deixando esvair-se,
um calor só enregelado
pelas luz das estrelas.
A claridade trouxe a paz,
o sossego;
o corpo deslizou para fora,
sabe-se lá porquê...
Rangeu a chave,
esperou-se outro corpo,
menos apressado, talvez.
A contra-luz,
a bailarina sentou-se grácil.
As estrelas aqueceram.
Nalguma lentidão dum "Quebra-Nozes"
escorregou, respirou pausas,
o seu corpo trouxe o calor
do teatro,
do parceiro,
das palmas,
tantas, tantas,
que saltaria dali,
em pontas,
numa fuga soberba de cisne...
Agora,
o sorriso,
a macieza daquele ar,
morno, violeta,
esqueceu a bailarina,
a mulher,
olvidou-se de tudo, de todo.
E do céu imaginado,
choveram estrelas cadentes...



(a partir dum pensamento de moriana)


(imagem retirada da net)

2 comentários:

moriana disse...

tanta ausência...a minha. voltei :)

(dancei, dancei com o soldadinho de chumbo. acordei, fora sonho)

beijos.

Jaime A. disse...

A tua falta foi sentida. Também em sonho o soldadinho de chumbo dançou.

Beijos