quinta-feira, 17 de julho de 2008

po(ente)

Límpido e arqueado,
gelou a minha passagem.

Assim,

sem cântico,

sem ponte, rarefeito.

O tempo o deixou,

a espera dolente,

do quase Agosto;

e o vão,

a abóboda insolente,

a catedral estática,

em pedra esfacelada,

(Salamanca esvaiu-se em areia, lembras-te?).

O medo,

o rigor torvo.

Águas esquecidas,

imóveis,

arco em ogiva perfeita,

gótico em bruma,

memória

em lugar nenhum...
(a partir dum poema de Nucha)
(Fotografia de J.N.)

2 comentários:

Pedro_Nunes_no_Mundo disse...

Sim. Pode ser.

Sabes que costumo ser receptivo à tua maneira de ver e imaginar.

Mas especialmente agora, neste momento, sim.
Conta-nos o que vês quando olhas...
Precisamos sempre tanto de alguém que nos ensine o sonho...

E agora mais que nunca.


(Um abraço cansado de boas férias.)

Jaime A. disse...

Olha o mundo sempre com um olhar de espanto; o cansaço será esquecido.
Um grande abraço, umas excelentes férias.