domingo, 1 de abril de 2007

Vazios

O silêncio do meu eco basta-me.
Memórias foram-se apagando: fotos rasgadas que os pés teimosamente repisaram, músicas distorcidas em memórias magnéticas, instantâneos de pensamentos sendo conquistadas pela negritude do nada.
As conversas morreram desde a última letra. Talvez nem tenha tido a força de seguir um derradeiro gesto.
Só relembro Santo Agostinho, último livro ainda comprado contigo. Talvez o seu saber tenha inspirado a partida.
Talvez seja apenas esse nome a corda que restou, presa a um cais de memórias vazias.
(...)
Bastam-me o silêncio do eco e o cais de memórias vazias...

5 comentários:

Anónimo disse...

Porque sempre a partida de nós é um por-se a caminho para chegar a outros...bj...nair

helena disse...

Memórias húmidas em que o silêncio ecoa.
Num cais , local de partida e também de chegada.
Parte desse cais,
Chega até nós
Não te confundas com ele
Nunca mais.

© Piedade Araújo Sol disse...

Um texto muito bem escrito, embora triste, aproveito para deixar os meus desejos de uma Santa Páscoa com muita saúde ....

pedro_nunes_no_mundo disse...

Gosto de pensar no teu sentir como uma continuação das maravilhosas leituras que fiz em tempos de Raul Brandão.

Uma humidade (uma humildade) de alma ferida perante um tempo que agride pela languidez, pela escorrência de um tempo que permite apenas aflorar uma memória e um passado que se recusa também caprichoso a diluir.

...Mas a tua boca fala da beleza que é possível e de luzes que rompem a espaços a cortina da melancolia.

E é dessas luzes que gosto também.

Joaquim Sobral Gil disse...

Piedade,

agradeço e retribuo os votos de boa Páscoa.

Apareça sempre. que é muito bem-vinda.