quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Quando tiver tempo

Quando tiver tempo,
fechar-me-ei num armário,
e escavarei lascas de madeira,
feitas grãos de areia,
e, então,
verei
como é lindo o cimo do sonho,
o tecto feito azul,
as teias de aranha;
nuvens,
o bicho da madeira;
marulho do mar.
Então,
abrirei a porta
e o vento da morte
cercar-me-á,
mas não me levará consigo,
porque me fechei num velho armário,
já esquecido pelo tempo.

6 comentários:

helena disse...

Quim, gostei m,uito deste teu poema.

Nesse armário, meu amigo, povoaste-te de Universo.
Encheste-o de mar e céu.
Fechaste nele, contigo, o sonho.

Volta a abri-lo, e abre-te para a vida, pois já não é o vento da morte que te vai cercar, mas sim a brisa do mar de que falaste e a dança dos aromas dos campos da tua infância.


Um beijo

helena disse...

Quim

p.s. este o conselho que eu daria ao poeta.

Beijinhos

Menina_marota disse...

"Quando tiver tempo..."
Vive-o da melhor forma possível, palavra a palavra, ao sabor do vento e da poesia...

Um abraço ;)

Ulysses disse...

Esperemos que não vá ter a Nárnia, o que está dentro do armário.
1 Abraço

pedro_nunes_no_mundo disse...

Ocorrem-me aquelas palavras "Quem é que disse que a felicidade tem de ser alegre?".

Continuas a conseguir olhar nos olhos a acidez de estar vivo.
Sem ser para entreter estilo.

Agride-nos. Dói. Porque somos humanos.
Mas tomara conseguir fazê-lo assim tão bem.
E daí retirar uma vitória íntima.

És mesmo um tipo de uma cepa rara...

Manuel Anastácio disse...

Parei por aqui, vindo do Estúdio Raposa. Fiquei rendido à concisão da tua poesia e à perfeita adequação da forma. Terei de vir mais vezes.