segunda-feira, 23 de setembro de 2013

vontade

Era uma vontade asceta,
uma Lua teimosa,
desfragmentada,
que vigorava
no tempo em que
o caminho era a esperança.
Falaram em luzes,
em túneis,
em números
(algarismos tingidos).
Apenas se soube esperar,
enquanto o líquido denso
escorria pelas frontes abaixo.
Pressentia-se
o para lá,
o mais além,
mas não se ousava dizê-lo,
no terror do descarrilar.
A paisagem horizontal,
pastosa,
era também fusão
imaculada e granítica,
numa certeza apenas:
que os números fossem
redutores e mágicos!

("Os números dão-te,
mas tiram-te:
faz com que te sirvam
com prudência."
Fala de Cleantes de Assos,
pensador estóico,
a Creso, rei servo
de ouro e outros 
números)

(fonte da imagem:
http://thehardmanshousent.blogspot.pt/2012/06/switzerland.html)

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