domingo, 4 de abril de 2010

K

Finis













Não há eterno, já;
o infinito prometeu o vazio.
Já não vivemos:
as promessas
caíram em mãos indiferentes.
Já nem a tua voz
me leva à resposta.
As palavras doeram,
na ruína dos afrescos;
já não se (h)ouve um coração;
estradas solidárias,
gélidos carris,
não carregam
o vago sol da manhã.

Fugi;
da minha boca vazou-se o silêncio;
meus pés julgaram-se em atalhos,
em atalhos de bruma.
Não há fado,
sina,
o sempre.
Apenas uma luz fugaz,
entre dois palmos de fumo.

(fonte da imagem:
http://flickr.com/photos/kyramas)

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4 Comentários:

Blogger maré disse...

há sempre um eco
ainda que açoitado pelo susto da tarde.
há sempre um coração que se ouve
pelos dedos da insónia

até pela manhãzinha,
quando a luz morde devagar o cimo dos muros.


beijo

domingo, 04 abril, 2010  
Blogger Paula Raposo disse...

Tão verdade!
Adorei o tue poema.
Beijos.

terça-feira, 06 abril, 2010  
Blogger Nilson Barcelli disse...

"as promessas
caíram em mãos indiferentes"
Infelizmente já é uma rotina que nos vamos habituando sem reclamar...
Bom poema, estás a escrever cada vez melhor.
Abraço.

terça-feira, 06 abril, 2010  
Blogger Sofá Amarelo disse...

Mas quem sabe se dessa luz fugaz os atalhos de bruma não se transformam em vagas que trazem respostas...

quarta-feira, 07 abril, 2010  

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"[...] Apesar de tudo o que se passa à nossa volta, sou optimista até ao fim. Não digo como Kant que o Bem sairá vitorioso no outro mundo. O Bem é uma vitória que se alcança todos os dias. Até pode ser que o Mal seja mais fraco do que imaginamos. À nossa frente está uma prova indelével: se a vitória não estivesse sempre do lado do Bem, como é que hordas de massas humanas teriam enfrentado monstros e insectos, desastres naturais, medo e egoísmo, para crescerem e se multiplicarem? Não teriam sido capazes de formar nações, de se excederem em criatividade e invenção, de conquistar o espaço e de declarar os direitos humanos. A verdade é que o Mal é muito mais barulhento e tumultuoso, e que o homem se lembra mais da dor do que do prazer."

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